A Bíblia: Deus nos fala

SOBRE O FOLHETO

A BÍBLIA: DEUS NOS FALA

Folhetos Católicos, n° 16.

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CONTEÚDO

   1 - “Deus é amor.” (1 Jo. 4,16) Só isto explica toda a amplitude das efusões divinas.  De fato, é próprio do amor comunicar-se: eis a criação. É próprio do amor falar à pessoa amada: eis a revelação. É próprio do amor fazer-se igual à pessoa amada: eis a Encarnação. É próprio do amor rebaixar-se: eis o presépio. É próprio do amor dar-se: eis a Eucaristia. É próprio do amor sacrificar-se: eis a imolação de Jesus na Cruz. É próprio do amor fazer feliz a pessoa amada: eis a glorificação.” (Em “COM DEUS”, p. 343)

   2 – Todas as verdades acima mencionadas, e outras mais, fazem parte da nossa profissão de fé católica, o nosso “credo”, e estão contidas na Bíblia Sagrada. Neste “Folheto”, vamos tratar apenas do tema da frase que indica  a Divina Revelação; ou mais particularmente, da Revelação escrita, a Bíblia Sagrada.

   Não se tratará, pois, aqui da Sagrada Tradição através da qual também parte do ensino divino chegou até nós. Nesses casos a Tradição, sob a ação da assistência prometida por Cristo à sua Igreja, só explicitou as verdades contidas implicitamente na Bíblia.

   3 - Realmente Deus se dignou falar aos homens e revelar-nos seus divinos mistérios. Basta citar a Epístola aos Hebreus (1,2): “Depois  de haver Deus falado, outrora, muitas vezes e de vários modos, aos Pais por meio dos Profetas, nesses últimos tempos, falou-nos por meio de seu Filho…”. Os profetas, pois, e os outros autores sacros dos livros sagrados que fazem parte da Bíblia, escreveram sob a inspiração e assis­tência de Deus. Para isto, Deus de tal modo agiu sobre o intelecto e sobre a vontade dos autores sacros que os seus escritos são obras de Deus, como autor principal, e deles, como autores instrumentais. Pois, ao escreverem foram inspirados, movidos e assistidos por Deus para só escreverem o que Deus quis que escrevessem, embora, ao escreverem, usassem seus estilos próprios. A Bíblia é, pois, a Palavra de Deus escrita.

   4 - Daí se deduz a sua grande importância. Eis o que nela lemos: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para convencer, para corrigir e para educar na justiça…” (2 Tim. 3,16) É útil, porém, quando corretamente interpretada. Caso contrário, pode ser nociva. Basta ler 2 Pedro, 3, 16 (nº 7 deste).

   5 - A Revelação Divina pode ser oficial ou particular, segundo é feita em caráter oficial ou particular. Desta última não se tratará aqui. A oficial encerrou-se com a morte do último Apóstolo. Presta-se ato de fé divina às verdades pertencentes à Fé e à Moral, contidas na Bíblia, e que são necessárias de se crer para a salvação.

   Mas, sendo a Bíblia Palavra oficial de Deus, a sua interpretação autêntica, só pode ser feita pela Igreja de Deus, a Igreja Católica, a única que tem promessa de assistência especial de seu divino Fundador para não errar no ensino do que é necessário de se crer para  a salvação. (Mt. 16,18-19; 28,18-20) É através dessa Igreja que os fiéis recebem, com segurança, o divino ensinamento.

   6 - A respeito dessa regra de interpretação, leia-se o que a própria Bíblia nos ensina na 2ª Pedro: “Antes de tudo, porém, convencei-vos de que nenhuma  profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Pois, jamais uma profecia veio da vontade humana, mais foi por impulso do Espírito Santo que homens falaram da parte de Deus.” (2 Ped. 1,20-21) A interpretação oficial da Bíblia pressupõe, pois, além da competência, a assistência prometida por Cristo, como acima ficou dito, pois a Bíblia não é um livro comum.

   7 - O que na 2Pedro (1,20-21) foi dito das profecias, deve-se, por extensão, dizer de toda a Bíblia. De fato, se lê em seguida: “Nelas (nas Epístolas de São Paulo, parte da Bíblia) há passagens difíceis de entender, e cujo sentido pessoas ignorantes e pouco fortalecidas deturpam para a sua própria perdição, como também o fazem com as outras Escrituras.” (2 Ped 3,16)

   8 - Foi Lutero, fundador do protestantismo, quem, contrariamente a esse ensinamento divino, inventou o falso princípio do livre exame da Bíblia, ao atribuir a cada pessoa em particular assistência especial do Espírito Santo para interpretar corretamente a Bíblia. A falsidade desse princípio luterano tornou-se patente já no seu tempo. De fato, vários de seus discípulos, como Calvino, Karlstadt, Zuínglio, etc. entende­ram tão contrariamente a Bíblia, que surgiram logo várias sei­tas contraditórias. E hoje o número das seitas originárias do luteranismo é incalculável, fruto de seus incontáveis erros.

   Aliás, o princípio do livre exame supõe que a Bíblia é um livro como outro qualquer. Foi a isto que chegaram através de Bultimann, Dibelius, Harnac, e outros exegetas protestantes que, negando tudo o que é sobrenatural, reduziram a Bíblia a um livro comum.

   9 - No entanto, os protestantes pretendem achar justi­ficativa para sua teoria do “livre exame” nestas palavras do Apóstolo: “Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom.” (1Tes. 5, 20-21) É, porém, patente que aí S. Paulo não se refere às profecias da Bíblia, nem muito menos a toda a Bíblia, mas apenas às breves exortações fervorosas proferidas nas reuniões dos primeiros cristãos, exortações chamadas “profecias”. Por isso, as pessoas que proferiam tais exortações espirituais eram chamadas “profetas”. Confira todo o cap. 12 da 1Coríntios, no qual S. Paulo dá normas práticas sobre isso. Não se trata, pois, de nenhuma profecia da qual fala a Bíblia em 2Pedro l, 20-21.

   10 - Outros citam as seguintes palavras de Nosso Senhor aos judeus: “Vós perscrutais as Escrituras julgando encontrar nelas a vida eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim.” (Jo. 5,39) Nesse texto, porém, Jesus apenas aponta para erro ocorrido na interpretação particular da Bíblia por parte de seus adversários. Ele condena, pois, o “livre exame” luterano. Note-se que não se diz no texto: “Perscrutai as Escrituras”, como costumam dizer, falsificando a Bíblia.

   11 -  Eis as normas da Santa Igreja sobre o uso da Bíblia Sagrada. Fonte documentária: “Denzinger-Schönmetzer.”(Dz.-Sch.):

   a) A sua utilidade e leitura (da Bíblia) são, de modo geral, encarecidas e recomendadas (Dz.-Sch. 770s) como o faz a própria Bíblia; mas não sem alguma restrição, como o faz também a Bí1bia em 2 Pedro 1, 20-21; 3, 16.

   b) A Igreja não julga, pois, a Bíblia útil para todos indis­tintamente. (Dz.-Sch. 1853;  2712, 2771) Por exemplo, énociva  para os protestantes que a interpretam segundo o princípio do “livre exame” e da “interpretação particular”, que a própria Bíblia condena (2 Ped. 1,20-21; 3,16), e que os induz a muitos erros.

   c) A sua leitura não é obrigatória para todos (Dz.-Sch. 2479-2485 e 2667), pois o que ela contém de necessário para a salvação, está publicado nos catecismos católicos.

   d)  Os féis católicos só usem as edições aprovadas pela Igreja, e com notas também aprovadas (Dz.-Sch.  1508, 1863, 2272).

   e) São proibidas as versões das sociedades bíblicas dos não-católicos (Dz.-Sch. 2771 e 2784). Por isso, são muito nocivas as atuais edições ecumênicas da Bíblia.

   f) Não se esquecer de que a Igreja concede uma indulgência ao fiel que lê a Sagrada Escritura como leitura espiritual, com a veneração devida à Palavra divina.

   g) É, pois, mentirosa e caluniosa a afirmação dos protestantes de que a Igreja proibiu a leitura da Bíblia. O que a carta do Papa Inocêncio III ao Bispo de Metz (Dz.-Sch. 770s) fez, foi condenar o erro de interpretação particular da Bíblia e as edições mal-traduzidas que sempre truncam o sentido autêntico da divina Revelação e tornam a leitura da Bíblia prejudicial à verdadeira fé.

   12 – Note-se que o número total de livros da Bíblia é 73; sendo 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo. Nas edições protestantes, porém, faltam os sete livros que foram reconhecidos como inspirados depois dos outros (eles os chamam “apócrifos”). Esses sete livros são muito úteis, mas não são tão indispensáveis para a demonstração das verdades da fé católica. São eles: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus e Tiago, além de trechos de Ester e de Daniel.

   13 - Além das verdades da Divina Revelação contidas no n° 1 deste folheto, várias outras são tratadas na série de “Folhetos Católicos”, do n° 01 a 18.

Fonte: http://tradicaocatolicaes.wordpress.com/2010/12/01/a-biblia-deus-nos-fala/

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